Shadow of the Colossus: sob a sombra dos Colossos

Agroooooo! – chama o garoto por sua montaria, o fiel cavalo Agro. Estavam em meio a uma imensa planície, num lugar conhecido também por seus templos abandonados, suas florestas, rios e desertos.

A Região Proibida parecia ser um cenário ideal para o jovem Wander e seu amigo equíno, entretanto, bem sabia, não poderia estar ali.

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Estavam num lugar onde viviam águias, lagartos e, sobretudo, seres gigantes: 16 criaturas sagradas, de formas e temperamentos variados.

Dizia-se que aquele lugar vivia sob

 

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Wander não era musculoso, nem mesmo era um guerreiro experiente. Trajava um colete simples, bordado com os símbolos de seu povo, sandálias, além de carregar seu arco e flechas e, principalmente, portar a lendária Espada Ancestral.

Entretanto, o que ele tinha de mais poderoso não era a espada, nem sua aljava de setas.

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Agro finalmente se aproxima de seu querido amigo, chacoalha a cabeça e relincha. O garoto coça carinhosamente a crina do bicho e diz algo próximo da orelha dele, através de uma fluída sentença.

O animal parecia compreendê-lo perfeitamente, enquanto piscava seus olhos brilhantes.

Ele monta, saca sua espada da bainha, e aponta a lâmina para o sol, de modo a deixar que os raios solares tocassem o refinado metal. Um longo feixe de luz é refletido e projetado em direção ao horizonte de sombrias montanhas e vales, como um farol.

Naquela direção, atrás daqueles grandiosos montes, estaria o Colossus.

Heyyaaaa deu o comando para que partissem em direção ao ponto indicado pela rajada de luz…

***

O trajeto não apresentava obstáculo algum, pelo contrário, era um cenário convidativo para se descansar, deitar-se na grama, repousar debaixo da proteção das altas copas das árvores, ou mesmo para quem quisesse se refrescar à margem dos trechos estreitos de um rio.

A Região Proibida oferecia paz.

A silenciosa amplitude do horizonte, o crocitar da águia e o galope seco de Agro davam a Wander uma a sensação de solidão e calma.

Sentimentos contrastantes com a situação em que ele se encontrava, e contraditórios pelo que conhecia sobre aquela terra, onde se dizia ser a prisão de um antigo deus condenado a incontáveis séculos.

E lá se vai Wander, por entre vales e morros, rios e pedras, em direção ao seu grandioso adversário.

***

Wander finalmente chega ao lugar, onde se depara com uma imponente “parede” natural. Ele freia Agro levemente, já que não havia maneira alguma de se continuar o trajeto a cavalo.

Muito acima daquela barreira de pedra, situada na base no alto da colina, estaria o monstro procurado por Wander, um dos Colossi que habitavam a Região Proibida.

O destemido jovem desmonta de seu cavalo e, impulsionando-se com uma corrida, salta e se agarra às folhagens que revestiam aquele íngreme paredão, usando os grossos caules como escada.

Apesar da parede não ser tão alta, a colina era desenhada como se tivesse grandes degraus, espécie de andares. Quem desejasse chegar ao topo deveria escalar 20 ou 30 metros, alcançar um patamar, escalar mais uma vez, e assim por diante.

Depois de subir quatro níveis como aqueles, percorrer pequenos caminhos na encosta lateral, e se equilibrar em pontes estreitas improvisadas com troncos de árvores, o esforçado Wander finalmente alcança a o ponto mais alto daquela “fortaleza natural”.

Para sua surpresa, havia ali um vale totalmente plano no cimo daquela formação rochosa, que por sua vez era cercado por uma cadeia de elevações de pedra tão altas quanto a que acabara de subir.

Ele toma algum fôlego, apoiando-se sobre os próprios joelhos.

TOOOOMMMMM

Wander leva um susto ao sentir o chão vibrar, como se o lugar tivesse sido chacoalhado por um terremoto.

TOOOOMMMMM

O garoto procurava o que ou quem provocava aquele estrondo.

Uma das colinas da cadeia à frente eram, para sua surpresa, as costas escuras de um Colossus, ocultado pela área sombreada do lugar. De pelos densos e escuros, e munido de uma espécie de clava, a criatura de forma humana caminhava tranquilamente por aquela imensa planície.

O impacto e o som se tornavam menos fortes à medida que o gigante continuava o percurso em sentido oposto a Wander, despreocupado.

Os olhos do obstinado guerreiro continuavam perplexos diante do tamanho problema que havia pela frente.

Nesse mesmo momento, veio-lhe à mente o motivo fundamental que o levara até ali. O coração palpitava frente àquela imensa tarefa: trazer de volta a vida de sua querida Mono.

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Sem pestanejar, Wander tira seu arco das costas, estica ao máximo a corda e, apontando a flecha para a nuca do monstro, atira, no intento de “incomodar-lhe” apenas.

Duas setas picam-lhe a pele, fazendo a criatura virar-se calmamente em direção ao disparo.

Seus sólidos olhos de cristais azuis focam o solo, procurando pelo responsável.

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Assim que identifica o minúsculo ser, o olhar pacífico se torna então “brasa”.

Ele percebe que aqueles dois “grandes rubis” olhavam-no furiosos.

O corajoso guerreiro respira fundo, saca sua espada, e corre imediatamente de encontro ao gigante, que por sua vez, também vinha em sua direção.

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O monstro minotáurico começa a preparar um golpe com seu tacape, envolto à luz solar que chegava às vistas de Wander.

A gigantesca superfície daquela clava de pedra e metal eclipsou por alguns segundos o sol, antes de finalmente descer, prestes a destruir toda a área onde se encontrava Wander.

O guerreiro dá alguns longos passos e imediatamente salta, dando um rolamento que lhe salva por pouco do violento golpe desferido.

Aproveitando a lenta recuperação da criatura, ele corre freneticamente até a base das patas peludas, pisa sobre seu casco negro e, num pulo, se agarra ao calcanhar.

O Colossus retoma sua postura e põe-se a continuar a marcha adiante, mesmo com o pequeno humano grudado em seu pé. Por vezes chacoalhava a perna para frente e para trás, a fim de tentar arremessá-lo ao chão novamente.

Wander não progredia em sua subida, pois o movimento do monstro o desequilibrava.

Até que, por fim, ele decide tomar uma melhor posição e então golpear o calcanhar do gigante, enfiando fundo a lâmina de sua espada.

O Colossus solta um grito alto e se põe de joelhos. O pequeno ser aproveita então para escalar a parte de trás de sua coxa e, aos poucos, subir em direção à sua cintura.

Wander se segurava firme durante a subida, o que lhe consumia parte da energia de seu corpo. Finalmente ele alcança uma espécie de plataforma ligada ao cinturão de guerra do monstro, onde pôde ficar em pé e recuperar-se por alguns segundos.

Para sua surpresa, o garoto percebe que a lâmina da Espada Ancestral brilhava intensamente, como se tentasse sinalizar algo. Wander ergue sua visão, procurando o que poderia estar interagindo com sua arma, e logo nota um grande símbolo luminoso que pulsava por debaixo da grande pelagem das costas do gigante.

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Não havia dúvida: a única forma de derrubar os Colossi seria atingindo diretamente aqueles Selos Secretos.

Wander escala mais alguns poucos metros até o meio da coluna vertebral do Colossus e para bem em frente ao símbolo. Com um de seus punhos agarra-se firme a um grosso chumaço de pelos; com o outro, empunha sua espada com a ponta pronta para ser enterrada.

O ingênuo guerreiro, entretanto, não media consequências. O custo de seus atos será alto.

O golpe faz com que o gigante solte um grito animalesco, um urro de dor e medo, liberado junto com a o jorro e a fumaça negros que saem pela ferida.

O líquido escuro manchava algumas partes do corpo do herói, o que lhe fez ponderar, por alguns segundos, se aquilo não era o sangue de um ser tão vivo quanto ele próprio.

Wander fecha os olhos e faz um movimento negativo com a cabeça.

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Por mais que o Selo Secreto tivesse desaparecido, o Colossus ainda continuava em pé e mais incomodado ainda, tantado se libertar do domínio daquele ser, balançando seu grande e musculoso tronco.

Wander se segurava firme e olhava para sua espada, na esperança de receber outra “pista” sobre o próximo ponto que deveria atingir.

Entretanto, sua expectativa não fora correspondida.

Wander permanecia agarrado sobre a região entre a nuca e o ombro da criatura. Começava a ficar cansado por causa do tamanho esforço que fazia e da tensão que lhe recaia.

De repente, uma voz de timbre divino rompe os céus, como se duas pessoas falassem ao mesmo tempo uma mesma mensagem:

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Imediatamente ele reconhece a voz de Dormin. Claro, o próximo ponto fraco só poderia ser na cabeça, de fato!

Wander se levanta e avança rapidamente alguns poucos metros, chegando bem no centro do crânio protegido pelo elmo de pedra com seus chifres cerrados. Assim que se aproxima, o grande selo se acende gradualmente, revelando o ponto vital do monstro.

Ele se agacha sobre o símbolo, saca sua espada e por um segundo seu olhar paralisa, como se pressentisse, vislumbrasse “alguém”.

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Wander sai de seu transe e finalmente perfura o local com sua espada. A criatura se estremece toda, urrando, balançando seu corpo de um lado para o outro. Ele puxa a espada da fenda recém-aberta para preparar o último golpe.

O Colossus ainda tenta se deslocar, a muito custo, através de passos curtos e pesados, sentindo as últimas energias esvaírem através do dolorido ferimento.

Wander segura firmemente o cabo da espada. O aço da lâmina pulsa, pronto para ser empurrado mais uma vez.

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O então rígido gigante urra e despenca dos céus, desabando violentamente contra o chão, já sem vida.

Wander salta de cima do corpo, maravilhado com a proeza que acabara de realizar: havia matado um Colossus.

Entretanto, o sorriso de orgulho estampado naquele rosto sujo de suor e pó logo muda para um semblante sombrio, ao ver que espirais de energia negra escapam de dentro daquele imenso corpo e serpenteiam em direção a ele.

O jovem guerreiro tenta fugir, mas imediatamente é golpeado no peito pelas rajadas esfumaçantes, desmaiando em seguida…

***

Uma voz feminina ecoa no mente.

A visão ainda lhe doía e o corpo parecia mais pesado apesar da vitalidade sobrenatural que percorria seus músculos. Wander se levanta e chacoalha a cabeça, tentando compreender como havia parado ali, de volta ao santuário de Dormin.

Do seu lado direito, um dos 16 ídolos de pedra, os quais representavam cada Colossus, estava quebrado.

Wander coça os olhos, confere seu equipamento, e olha mais uma vez o corpo de Mono deitado na mesa pedra.

Ele se fixa por alguns momentos naquele corpo sem vida.

Wander bate o pó de sua roupa, olha para a entrada do lugar e em seguida chama:

Agrooooooo!

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Mestrando em Letras, com estudos voltados para Semiótica/ Linguística. Apaixonado pelo Estruturalismo, Realismo Russo, Louis Hjelmslev, meus alunos, Metal Gear Series (só até o 4 hein!) e games. Atualmente flertando com Bio Shock series, indies e Filosofia da Linguagem. Professor por amor, por escolha e por um bocado de crença.

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