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David, o pedestre

Cinza. Era a cor predominante que David via naquela paisagem pulsante. No céu, os prédios pareciam apenas finos entalhes geométricos. Era uma manhã qualquer entre a velocidade de automóveis e pessoas. Passos, roncos e buzinas, a música metropolitana em decibéis irregulares, invasivos e opressores. Em seu lado da avenida, pessoas transitavam, como padrão, se ignorando.

David parou rente à guia. Luzes residiam no desenho antropomórfico. Ele esperou. Enxergava muito mais cores que o vermelho, então, esperou – o tempo a ficar ali, ninguém soube ao certo. Duas pessoas se alinharam na calçada. Uma após a outra, o mediram dos pés a cabeça. Uma delas atravessou a avenida correndo, a outra, pareceu desistir do trajeto e retornou para qualquer outro lugar. David tentou seguir o primeiro. Ao fazer, quase foi atropelado. Por questão de centímetros, conseguiu voltar à calçada. Uma buzina ficou em sua mente, antes de um xingamento. Continue lendo

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PAC-MAN

Pac-man foi um clássico jogo dos anos 80 lançado para arcades e consoles, chamado por vezes, na terra tupiniquim, de “come come”. O icônico comilão de “arroz” que foge de fantasma por labirintos a pontos de luz, e é essa estrutura labiríntica que norteia o poema de inspiração concretista (vide os irmãos Campos, Décio Pignatari, etc.). A brincadeira se dá com a onomatopéia repetitiva (come,com’com…) e a ordem canônica do discurso linear da língua portuguesa, ou seja, atenção na hora da leitura. Bom jogo!

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