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David, o pedestre

Cinza. Era a cor predominante que David via naquela paisagem pulsante. No céu, os prédios pareciam apenas finos entalhes geométricos. Era uma manhã qualquer entre a velocidade de automóveis e pessoas. Passos, roncos e buzinas, a música metropolitana em decibéis irregulares, invasivos e opressores. Em seu lado da avenida, pessoas transitavam, como padrão, se ignorando.

David parou rente à guia. Luzes residiam no desenho antropomórfico. Ele esperou. Enxergava muito mais cores que o vermelho, então, esperou – o tempo a ficar ali, ninguém soube ao certo. Duas pessoas se alinharam na calçada. Uma após a outra, o mediram dos pés a cabeça. Uma delas atravessou a avenida correndo, a outra, pareceu desistir do trajeto e retornou para qualquer outro lugar. David tentou seguir o primeiro. Ao fazer, quase foi atropelado. Por questão de centímetros, conseguiu voltar à calçada. Uma buzina ficou em sua mente, antes de um xingamento. Continue lendo